GERAÇÃO PROZAC

terça-feira, janeiro 02, 2007

Menos querer

Chegou o último dia do ano e estão todos com a listinha de desejos engatilhada. Planos é o que mais se tem. É muito saudável esta esperança, mesmo sabendo que chegaremos ao final de 2007 exatamente como chegamos a este final de 2006: contabilizando perdas e ganhos. Alguma coisa teremos realizado, outras ficarão só na vontade, e a frase que diremos pra nós mesmos será: fiz o que pude. Uma declaração de inocência diante da nossa relativa incapacidade.
Pois então faça aquilo que puder, faça o que estiver ao seu alcance para realizar seus projetos, mas bom mesmo seria poder chegar neste dia 31 de dezembro e pensar: não quero nada. De tanto querer, tem muita gente que passa por cima da ética, por cima dos amigos, dá espaço para o stress e para as frustrações. Quer-se demais, quer-se tudo, até parece que nada temos, que estamos entrando em um novo ano sem bagagem. Como assim? E o que já se conquistou até aqui, e o que já ganhamos, senão em espécie, ao menos em experiência? Pois a experiência ensina: queira comedidamente, queira sem histeria, ou melhor ainda, não queira.
Imagine (dando seqüência à letra de John Lennon) uma sociedade em que as pessoas não estejam tão ansiosas para ter o que não têm. Uma sociedade que consuma menos. Uma sociedade mais satisfeita com o básico. Claro que devemos querer mais segurança, mais educação, mais moralidade para o país, mas, no que diz respeito a nossas necessidades pessoais, que tal resistir aos apelos externos e inaugurar um novo ano mais zen? Só o fato de estar vivo, longe de uma cama de hospital, já é um feito a se comemorar à meia-noite. Mais dinheiro, mais roupas, mais sexo, mais festas, mais trabalho, mais, mais, mais. Nossas metas estão sempre relacionadas com estas quatro letras. M + A + I + S. Não é pecado desejar, inclusive é recomendável, desejar exercita a alma, nos mantém em movimento, nos enriquece espiritualmente, mas sem cair na vulgaridade do acúmulo, sem a tentação de ficar se exibindo, sem afetação e neurose. Também é evolução poder se olhar no espelho e concluir com sinceridade: não preciso de nada. Que venha o que vier, porque do jeito que estou, já estou bem.
É o que desejo pra você. Não é pouco, acredite. Desejo que você não precise querer mais, que não caia na cilada de inventar metas desnecessárias, que não se exija além da conta. Querer menos, eis aí um plano original para 2007. E, estando livre do compromisso de ter que realizar o irrealizável, simplesmente relaxar e aproveitar a vida do jeito que ela é. Um feliz Ano-Novo. E, além de novo, tranqüilo.

Martha Medeiros (30/12/06)

segunda-feira, novembro 20, 2006

Para o dia não passar em branco



Ela é negra, negra,
Negra como a noite
Cor do meu cabelo liso
Cor do asfalto onde piso
E me leva aos braços dela
Ela é quente, quente, quente, como um dia de verão
Como o sol que eu peço tanto
Que me faça igual a ela
Pra que eu viva junto dela
Pra que eu tenha a mesma cor

Ah! Quem dera eu esquecer
Da minha cor tão branca
E me perder nessa ilusão tão pura
Nessa ilusão tão meiga, nessa ilusão tão negra

Negra
Nessa ilusão tão meiga
Negra
Nessa ilusão tão negra
Negra

Ela é quente, quente,
Quente como um dia de verão
Como o sol que eu peço tanto
Que me faça igual a ela
Pra que eu viva junto dela
Pra que eu tenha a mesma cor

Ah! Quem dera eu esquecer
Da minha cor tão branca
E me perder, nessa ilusão tão pura
Nessa ilusão tão meiga, nessa ilusão tão negra

Negra
Nessa ilusão tão meiga
Negra
Nessa ilusão tão pura
Negra



Nessa ilusão, nessa ilusão tão negra. Negra.


20 de novembro - Dia da Consciência Negra

quinta-feira, novembro 16, 2006

Vejam se vocês se enquadram no perfil...

Confira as características de uma "mulher fácil"

Dizem sim a tudo:
Estar sempre pronta e disposta para os homens pode se transformar no maior de seus erros. "Geralmente uma mulher fácil é aquele que diz sim a tudo, no sentido que se convidam para algum lugar, convido para tomar uma bebida... ela diz sim, convido para dançar, ela também aceita. Daí para conseguir um "algo mais" não passa de um mero detalhe. Em outras palavras, nós não gostamos que elas digam sim a tudo", diz Rodrigo, 33 anos.

Usam roupas muito sexy:
Está bem que as mulheres queiram mostrar os atributos que Deus (e às vezes o bisturi) proporcionou a elas. Porém, quando uma mini-saia se torna uma vestimenta constante eles podem interpretar mal. "Estas mulheres que andam sempre com a roupa bem curta, podem entrar nesta categoria (mulher fácil) numa primeira interpretação. Claro que muitas vezes, depois que as conhecemos, percebemos que são somente mulheres que gostam de se vestir desta forma. Mas a primeira impressão que me dá é essa", assinala Paulo, 28 anos.

Tomam atitudes mais "ousadas":
Para alguns homens, tudo está ligado à maneira que as mulheres se desenvolvem frente ao sexo masculino, ou seja: como elas conversam com os homens (desde os gestos e sinais) se torna crucial para eles. "Quando sua atitude é muito direta e elas passam de insinuação a eloqüência sem motivo, pensamos estar frente a uma mulher relativamente fácil. Falar alto para chamar a atenção a todo o custo e rir exageradamente também são sinais disso", comenta Patrício, 47 anos. "Eu identifico as mulheres fáceis quando sem explicação elas começam a falar de homens, sexo, e coisas que não tem a ver com o que está sendo dito na hora. Dizem coisas assim sem nenhum motivo para tal atitude", completa Nicolas, 23 anos.

Procuram ter muito contato físico:
Quando o contato corporal está evidente desde o início da paquera, se pode, sem dúvida, imaginar que ela quer algo mais e, além disso, o quão entregue ela estará posteriormente. "Quando ela começa a tocar a sua perna e seu braço constantemente de maneira dissimulada, sem que você tenha feito nenhuma insinuação... acaba passando a idéia de que ela está se oferecendo", pensa José, de 29 anos.

Deixam que as evidências entregam:
Sem dúvida existem coisas concretas que elas podem fazer que serão consideradas atitudes de mulheres fáceis. "Quando te chamam muito, te oferecem uma bebida na balada sem te conhecer ou quando te pedem o telefone antes que você pense em dar são fatos marcantes", assinalam Juan, 34, Dante, 32 e Matias, 34.

Tomam iniciativa exagerada:
Para os homens, uma coisa é ser ousada, mas liberal; outra é ser sempre uma mulher que eles esperam que seja apenas nos momentos de intimidade. "Quando ela te procura sem que você tenha feito isso antes, seja convidando ou te chamando mesmo para sair, é claro que ela quer algo com você. Porém, o que parece "fácil" pode se tornar numa dificuldade quando você tentar levá-la para a cama", conta Nicolas, 30 anos.
Tirado do site Terra.

domingo, novembro 05, 2006

Veja o cotidiano




Veja a coinscidência




Veja a escolha




Veja a decisão

segunda-feira, outubro 30, 2006




And I'd give up forever to touch you
'Cause I know that you feel me somehow
You are the closest to heaven that I'll ever be
And I don't want to go home right now

And all I can taste is this moment
And all I can breathe is your life
'Cause sooner or later it's over
I just don't want to miss you tonight

And I don't want the world to see me
'Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am

domingo, outubro 15, 2006

Vamos virar o disco...

Celebridades banalizam a intimidade

BIA ABRAMO

"Desejamos o prazer de espiar uma vida que se apresenta como menos ordinária que a nossa"

Daniella Cicarelli , por fim, saiu por cima da carne-seca. Vai ganhar um programa jovem na Record, depois de pagar mico no "Beija Sapo", da MTV. Se deu bem, ao fim e ao cabo, depois de ser achincalhada até por Bruna Surfistinha só porque transou com o namorado na praia. É um mundo curioso e cruel, esse da megaexposição da mídia. A moça é uma linda, pernuda, bocuda e olhuda. E é exatamente isso que ela tem a vender no mercado das celebridades, sua mais-valia estética e sexual. Por que também é justamente isso que os consumidores vorazes da fama alheia querem dela. E ela, o que faz? Sai vendendo, por aí, é claro. Fotografa para revistas, protagoniza comerciais, torna-se apresentadora de programas jovens em que aparece linda, pernuda, bocuda, olhuda e de pouca roupa. No melhor formato "minha vida é uma revista "Caras" aberta", inventa o casamento do "século". O rei do futebol e a princesa das passarelas casam-se e descasam-se com pompa, circunstância e barulheira em um tempo recorde. Some e volta, "low profile", em um programinha para adolescentes se beijarem em público patrocinados por uma marca de refrigerantes. A voz rouca, a malícia sestrosa de mulher bonita no meio dos recém pós-púberes soa como uma estridência sexual inatingível, tanto para os meninos desejantes como para as meninas invejantes. Depois, isso que todo mundo sabe: foi filmada com o namorado, o vídeo correu o mundo pelo YouTube, etc. E, diante da intimidade revelada, a surpresa: mas essa mulher, que fantasiamos como uma deusa do sexo, fez sexo mesmo? A intimidade, vista de perto, é sempre ao mesmo tempo mais banal e mais assustadora do que parece. Esses personagens colocam no mercado uma sugestão de que sua vida entre quatro paredes é tão glamurosa que é quase extra-humana, de uma textura publicitária, mas quando se apresenta, de fato, alguma nesga da intimidade real, há choque e decepção. Com a mesma intensidade, desejamos o prazer de espiar uma vida que se apresenta como menos ordinária e repelimos as manifestações de humanidade de quem se emoldura para a mídia. A crise, entretanto, é passageira. Na mesma medida que vem, vai. E, no fim, tudo "dá certo", assina-se um novo contrato e a paz volta a reinar no mundo das imagens.

sábado, outubro 07, 2006

Já que esse blog anda muito político, vou colocar um e-mail de um eleitor petista explicando os motivos para votar no Lula.

por Angelo Roncalli

" (...) Assim se pôs Lula no poder. Apenas uma caricatura do Lula de 1989, mas ainda um feito inacreditável, com um representante das classes populares, vindo do movimento sindical e da luta pela democracia, retirante nordestino e sem curso superior chegando ao topo máximo da carreira política. Foi uma campanha histórica, uma votação e uma posse igualmente históricas. Poucos se dão conta da carga simbólica que um trabalhador na presidência da república traz, é algo que vai além de nossa compreensão. O problema é que a miríade de eleitores pertencentes às estirpes antes descritas agora guardavam distintas expectativas.
Foram três anos e poucos meses bastante difíceis e não poderia ser o contrário. De um certo deslumbramento inicial se caiu na real logo cedo: a oposição não vai deixar barato. O PT pagou caro pelo pragmatismo político de ter que compor com figuras como Roberto Jefferson, arauto da república das Alagoas de Collor, e de ter crescido tumoralmente. Seu discurso da ética na política (em seu sentido estrito) não era mais possível frente ao sem número de arranjos que teve que fazer. O PT crescera e com todos os vícios possíveis. Os poucos avanços que foram conseguidos a duras penas e que ainda davam um certo diferencial em seu governo foram totalmente enevoados pelo esquema do mensalão. A imprensa nos fez pensar que, de uma hora para outra o país se descobriu corrupto, com o "maior esquema de corrupção da história" sendo descortinado. Figuras políticas do quilate de ACM Neto e Arthur Virgílio se transformaram ironicamente em grandes defensores da honestidade.
Assim, pouco importa que o mensalão seja uma teoria conspiratória insustentável política e operacionalmente. Tampouco que o valerioduto já estivesse construído sob fortes alicerces desde o império do tucanato. Também podemos esquecer os 200 mil reais que Ronivon Santiago recebeu para votar pela reeleição de FHC e podemos ignorar que os escândalos do tipo Marka Fonte-Cindam movimentaram muito mais dinheiro e locupletaram muito mais gente. Importa para a grande imprensa é que isso não poderia ter sido feito pelo PT. Aceita-se que ACM fraude o painel de votação do senado, mas um militante petista não pode nem sonhar em mijar fora do penico. É o modo de fazer política à brasileira e o PT se tornou refém dele. Num piscar de olhos, a luta de 26 anos de um dos mais importantes partidos do país virou fumaça e a agremiação que alberga as nossas melhores cabeças passou a ser lembrada como a casa de Delúbio Soares. Desse modo, o PT não é formado por Delúbios e o Lula paz e amor de 2002 não é o Lula de 1989. Mas também não é FHC. Nem se compara. E é por isso vou votar em Lula de novo. E não é só porque entra mais preto e pobre na Universidade, nem pelo risco Brasil, nem pela dívida quitada com o FMI, nem muito menos por conta dos indicadores econômicos. Também não é pelo bolsa-família que retirou milhares da linha de pobreza. Nem por causa do micro-crédito e do salário-mínimo de 130 dólares e nem por trabalhar há 12 anos numa Universidade pública e ver sinais de melhora pela primeira vez. Também não é porque a América Latina mostra sua cara depois de décadas, com governos de apelo popular, os quais o Brasil tem assumido a liderança. Muito menos porque a abissal e histórica desigualdade social diminuiu pela primeira vez em 506 anos.
Voto em Lula porque ele joga pelada no fim de semana e toma umas e outras, porque seu português ruim é igual ao meu. Por que ele quebra protocolo e porque é cínico o suficiente para fazer campanha enquanto governa. E porque não tem coisa mais deliciosa do que ver Agripino Maia sendo oposição. Voto em Lula porque Gilberto Gil dá uma canja na ONU acompanhado pela timba de Kofi Annan e porque Marina Silva aprendeu a ler com 16 anos e é ministra do meio-ambiente. Porque é o partido com os melhores quadros do país. Porque tem Emir Sader, Tarso Genro, Aloísio Mercadante, Eduardo Suplicy e Fernando Mineiro. Voto porque Celso Daniel morreu, porque Chico Mendes morreu e porque Vlado morreu. Porque o coronel Pantoja ainda está solto, porque o cidadão brasileiro ainda carrega um trabuco, porque ainda se morre no campo e porque ainda se morre na cidade. Porque ainda tem flanelinha malabarista no semáforo, porque louco ainda vai pro manicômio e porque meu carro não tem freio ABS e nem airbag duplo. Porque ainda há muito o que fazer. Enfim, voto em Lula porque Chico Buarque e Paloma Duarte também votam nele. E porque Beatriz Segall não votou e nem votará nele. "